20:15 horário de Brasília, vai começar o Jornal Nacional, pela Rede Globo. Há 40 anos, os mais de 40 milhões de brasileiros que fazem do programa o líder de audiência no horário já sabem que é hora de informação. Não?

Atualmente a resposta pode ser outra. Uma seguidora do jornalista, âncora e editor-chefe do programa, Willian Bonner, postou no Twitter que assiste ao telejornal e pensa: “Ele é meu amigo no twitter!”. Pode ser infantil a maneira como o Bonner utiliza a rede social para aproximar seus seguidores do telejornal, mas em parte funciona. Seguidamente é possível ler um tweet do
jornalista dizendo: “Peça pelo número 1.Lilás com diagonais em preto e prata; 2. Azul com riscas brancas; 3. Listrada em amarelo e marinho.” Este é um tweet publicado pelo jornalista questionando seus seguidores sobre qual a gravata que eles gostariam que ele usasse no programa daquele dia. A foto postada teve mais de 38 mil acessos e, ao final da votação, alguns de seus seguidores ligaram a televisão no horário do programa para ver se realmente ele estava usando a tal gravata. A utilização dom Twitter, neste caso, serve para motivar os seguidores do jornalista a assistirem ao telejornal, o que não quer dizer eles tenham o poder de influenciar realmente no conteúdo do programa. Em uma entrevista ao canal de televisão GNT, Bonner afirmou que já utilizou a rede
social para ficar informado sobre coisas que aconteciam naquele momento no mundo, mas que não fez uso destas informações como jornalísticas para o telejornal.
A grande maioria dos jornalistas e apresentadores de programas da Rede Globo possuem conta no Twitter, isso fez com que a emissora adotasse algumas medidas para prevenir que estes publicassem algum tipo de conteúdo. Os profissionais da Globo estão liberados para postar informações no Twitter, desde que estas não envolvam conteúdo de produção que possa “alertar” a concorrência. Contudo, é inevitável comentar a quantidade de pessoas que querem saber o que eles têm a dizer. William Bonner conta com mais de 223 mil seguidores. Já seu colega Luciano Hulk, apresentador do programa de entretenimento dos sábados da emissora, já passa de um milhão e 300 mil seguidores.
O ato de twittar virou febre no Brasil. O Twitter é a rede social que mais cresce no país e não há um só meio de comunicação tradicional que não utilize a rede para atrair novas audiências. Dentro da própria Globo é possível encontrar casos dos mais diversos.
O jornal O Globo, de grande circulação nacional, por exemplo, personalizou a foto dos seus principais colunistas para que eles sejam reconhecidos na rede por pertencerem à redação do diário.
A revista Época, também de credibilidade nacional, tem em sua página web links para que seus leitores acessem sua página no Facebook e a sigam no Twitter. Recentemente a revista publicou uma promoção interessante na rede. Anunciou através do Twitter que quem estivesse interessado em receber convites para o novo Orkut e para o Google Wave deveria acessar seu blog sobre tecnologia.
Estas são pequenas ações, mas que demonstram a preocupação de grandes grupos midiáticos com o avanço das redes sociais. Não existe uma fórmula de sucesso absoluto para utilizá-las no dia-a-dia do jornalismo. O certo é que ignorar sua existência afeta a credibilidade dos meios que, enquanto parte importante do processo de comunicação, não podem ficar alheios aos movimentos da sociedade. Vamos twittar!
