quinta-feira, 12 de novembro de 2009

"Mãe: ele é meu amigo no Twitter"

20:15 horário de Brasília, vai começar o Jornal Nacional, pela Rede Globo. Há 40 anos, os mais de 40 milhões de brasileiros que fazem do programa o líder de audiência no horário já sabem que é hora de informação. Não?

Atualmente a resposta pode ser outra. Uma seguidora do jornalista, âncora e editor-chefe do programa, Willian Bonner, postou no Twitter que assiste ao telejornal e pensa: “Ele é meu amigo no twitter!”. Pode ser infantil a maneira como o Bonner utiliza a rede social para aproximar seus seguidores do telejornal, mas em parte funciona. Seguidamente é possível ler um tweet do

jornalista dizendo: “Peça pelo número 1.Lilás com diagonais em preto e prata; 2. Azul com riscas brancas; 3. Listrada em amarelo e marinho.” Este é um tweet publicado pelo jornalista questionando seus seguidores sobre qual a gravata que eles gostariam que ele usasse no programa daquele dia. A foto postada teve mais de 38 mil acessos e, ao final da votação, alguns de seus seguidores ligaram a televisão no horário do programa para ver se realmente ele estava usando a tal gravata. A utilização dom Twitter, neste caso, serve para motivar os seguidores do jornalista a assistirem ao telejornal, o que não quer dizer eles tenham o poder de influenciar realmente no conteúdo do programa. Em uma entrevista ao canal de televisão GNT, Bonner afirmou que já utilizou a rede

social para ficar informado sobre coisas que aconteciam naquele momento no mundo, mas que não fez uso destas informações como jornalísticas para o telejornal.

A grande maioria dos jornalistas e apresentadores de programas da Rede Globo possuem conta no Twitter, isso fez com que a emissora adotasse algumas medidas para prevenir que estes publicassem algum tipo de conteúdo. Os profissionais da Globo estão liberados para postar informações no Twitter, desde que estas não envolvam conteúdo de produção que possa “alertar” a concorrência. Contudo, é inevitável comentar a quantidade de pessoas que querem saber o que eles têm a dizer. William Bonner conta com mais de 223 mil seguidores. Já seu colega Luciano Hulk, apresentador do programa de entretenimento dos sábados da emissora, já passa de um milhão e 300 mil seguidores.

O ato de twittar virou febre no Brasil. O Twitter é a rede social que mais cresce no país e não há um só meio de comunicação tradicional que não utilize a rede para atrair novas audiências. Dentro da própria Globo é possível encontrar casos dos mais diversos.

O jornal O Globo, de grande circulação nacional, por exemplo, personalizou a foto dos seus principais colunistas para que eles sejam reconhecidos na rede por pertencerem à redação do diário.

A revista Época, também de credibilidade nacional, tem em sua página web links para que seus leitores acessem sua página no Facebook e a sigam no Twitter. Recentemente a revista publicou uma promoção interessante na rede. Anunciou através do Twitter que quem estivesse interessado em receber convites para o novo Orkut e para o Google Wave deveria acessar seu blog sobre tecnologia.

Estas são pequenas ações, mas que demonstram a preocupação de grandes grupos midiáticos com o avanço das redes sociais. Não existe uma fórmula de sucesso absoluto para utilizá-las no dia-a-dia do jornalismo. O certo é que ignorar sua existência afeta a credibilidade dos meios que, enquanto parte importante do processo de comunicação, não podem ficar alheios aos movimentos da sociedade. Vamos twittar!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A caixa mágica na selva da comunicação

Nas décadas de 40 e 50, antes do advento da televisão, o hábito de ligar o rádio fazia parte do cotidiano das famílias brasileiras. Em um lugar privilegiado das casas, geralmente nas estantes das salas, ficava a caixa pesada, feita de madeira e com um interior misterioso. Após o jantar, o patriarca sentava-se ao lado do rádio e em um ato de poder sintonizava a programação que toda família escutava atentamente. Essa tradição passava de pai para filho e estes se tornavam fieis seguidores de suas emissoras preferidas. Assim foram ganhando força as rádios comerciais que hoje comemoram seus 60, 70 e até 80 anos de existência em solo verde e amarelo. A maneira de ouvir rádio nestes anos não mudou muito para aqueles que continuam sintonizando o velho rádio analógico na sua emissora preferida e o único movimento que se permitem fazer é ligar e desligar o aparelho. O fato é que esta forma de ouvir rádio está com os dias contados e cabe as emissoras se adaptarem a esta nova realidade.

Para a satisfação de todos aqueles que, assim como eu, são amantes da velha caixa mágica que mexe com o imaginário das pessoas, o movimento atual das empresas radiofônicas, pelo menos no Brasil, mostra a preocupação com os novos ouvintes e com os novos meios de comunicação.

Antes do aparecimento da internet, o rádio era considerado o meio de comunicação do tempo real e da interatividade. Com as facilidades de acesso a internet, as coisas mudaram. Agora, não é necessário nem mesmo um computador para chegarmos às informações que nos interessam. Como a modificações nas relações fonte, mensagem, canal e receptor é inevitável que os meios convencionais alterem seu formato para chegar à audiência. Pessoalmente acredito que o meio radiofônico conta com algumas vantagens sobre esta nova fase: o tempo real e a interatividade já são realidades dentro de uma emissora de rádio. Este meio conta com uma incrível habilidade de mexer com produtos e ouvintes, isto já é parte do rádio. O imprescindível, agora, é a consciência de que o suporte tecnológico não é mais o mesmo, que os ouvintes não querem mais o que queriam antes e que para continuar vivo é preciso adaptar a linguagem e o conteúdo. Um exemplo positivo, neste caso, e que já está em prática é a utilização do formato podcast, assim o ouvinte pode ter acesso ao que é produzido pela emissora quando quiser. A realidade já nos possibilita escutar rádio através da web, do celular e dos Iphones. O surgimento de novos canais de distribuição é cada vez mais rápido, e as emissoras precisam estar em todos estes canais. Só assim, os anunciantes continuarão apostando no rádio, embora não mais como um único suporte, mas como uma forma fácil e eficaz em chegar a determinados públicos. Como exemplo, o anúncio da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, sobre suas plataformas de distribuição no ano de 2008:

video

O ponto chave hoje é o conteúdo. As pessoas não estão mais interessadas em como esta informação chegará até elas, mas qual se seu conteúdo realmente lhes interessa. A linha divisória entre os ouvintes e os comunicadores está cada vez mais estreita. O acesso a internet, de ambos os lados, aproximou as duas partes e as rádios passaram a ser mediadoras de uma conversa entre receptor e fonte. Orkut, Twitter, Facebook e Google Wave são realidade e, assim como, ele serão mais com o passar dos anos. Por isso, não se pode cometer o erro de transferir para o suporte internet a rádio como é feita para o suporte radiofônico. Os responsáveis pela gestão dos conteúdos precisam ser conscientes de que o que se está disponibilizando online precisa ser para ouvintes online. Que contam com uma variedade assustadora de canais para chegar à informação que buscam. Algumas rádios comerciais já compreenderam esta nova realidade e já aplicam ferramentas e conteúdos distintos para ambos os canais. Um exemplo são as comunidades dentro das páginas web de rádios. O objetivo é unir comunicadores e ouvintes e fazer com que todos troquem experiências e influenciem diretamente no produto radiofônico. As emissoras incentivam a participação da audiência e com isso passam a conhecer mais de perto quem, o que e de que forma ouve. Neste momento o meio rádio passa a realizar a função de moderador. O rádio é o social networkig original, sempre esteve conectado com as comunidades, sabe ouvir e dar ouvidos.

Quando o meio radiofônico souber utilizar todos os recursos disponíveis na internet para favorecer a integração com o ouvinte e se adaptar definitivamente a este novo suporte, as rádios se tornarão serão ainda mais atrativas. E preciso estar preparado e começar a mudar já.